Entre um riso disperso no passado, os lábios agora carregam o silêncio. Os cabelos esvoaçam-se à leve brisa e meus olhos enxergam como num filme de memórias, um passado enferrujado que consiste em existir, como se fosse só para mim. Meus olhos brilham ao fitar o vermelho daqueles telhados, meus passos caminham felizes pelas calçadas sempre iguais. O caminho até o depósito era coberto por flores, que há muito tempo estão murchas. As lembranças agora estão em preto e branco, numa mistura de saudade e revolta. Pudera eu voltar atrás, naquele dia de domingo no qual tomei a preciptada decisão de olhar pela última vez cada centímetro daquele lugar; cada flor que me viu chorar, cada aceno que ganhei como despedida.
Logo eu que nunca fui de silenciar meus pensamentos, agora, mantenho-me quieta. Sentindo-me como uma bomba prestes a explodir em meio à noites nostálgicas, feitas de lembranças que de tão doces se tornaram amargas, justamente por não poder voltar atrás. Na cabiceira de minha cama encontram-se rascunhos de cartas que escrevi, mas jamais tive coragem de mandar. Entre a saudade e a vontade, está o meu orgulho que consolida-se pouco a pouco, na parede da memória. Onde passo dias a deslumbrar o teu retrato corroído pelo tempo, junto com o teu último bilhete - ” ainda aguardo o teu perdão. “
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